Dia Mundial da Água
Neste ano estamos comemorando 50 anos que a ONU criou o Dia Mundial da Água e aqui no Brasil, também estamos completando 25 anos da Lei Federal 9433, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos. Ambos eventos são marcantes, entretanto a realidade que se manifesta no tocante aos dois eventos não é nada agradável e talvez, não haja nenhum motivo para grandes comemorações. No mundo a água está cada vez mais rara e as populações carentes desse recurso natural fundamental, infelizmente, tem crescido. Se, por um lado, tem havido mecanismos que favorecem um aumento da oferta, por outro lado a carência natural é cada vez maior, devido ao comprometimento ambiental e o descaso das autoridades em relação aos recursos hídricos. Aqui no Brasil, se há água suficiente não há tratamento e se há tratamento não há água suficiente, porque a Lei acima citada, acaba sendo descumprida sob vários aspectos, em grande parte por conta da falta de educação da população e da incoerência política dos administradores públicos. Nosso país, que o que mais possui água no planeta, com cerca de 13% do total, tem uma cultura de que a água é uma substância comum e sem valor, que “cai do céu”. Assim, usamos o recurso mal e desperdiçamos bem. Além disso, a distribuição da água não é igual no planeta e muito menos aqui no Brasil. Temos bastante água no Norte, um contingente razoável no Centro-Oeste, pouca quantidade no Sudoeste e no Sul e quase nada no Nordeste. Além disso, as populações do Sudeste e do Nordeste são as maiores do Brasil. Deste modo, há excesso de necessidade e carência de produto. No Nordeste a questão se agrava por conta da região do polígono das secas e no Sudeste pela imensa população, que engloba mais de 40% do total do país e pelos grandes parques industriais existentes na região. No Nordeste, com as obras de Transposição das Águas do Rio São Francisco, a expectativa é que as coisas melhorem progressivamente, mas aqui no Sudeste, com as dificuldades, cada vez maiores, dos rios voadores chegarem à nossa região, a quantidade de água tem diminuído paulatina e constantemente. As perspectivas no Sudeste, particularmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, e mais especificamente na Bacia do Rio Paraíba do Sul, são muito preocupantes. Ainda temos água em relativa quantidade e qualidade, mas precisamos aprender a viver com a água em quantidade proporcionalmente menor e assim temos que tratar a água e o esgoto para garantir a qualidade. Por outro lado, é fundamental que evitemos os desperdícios, que são da ordem de 33%. Além disso, é necessário trabalhar para que os “rios voadores” continuem seguindo o fluxo normal, trazendo chuva e a água da Amazônia para nossa região. Em suma, nosso dever de casa é cuidar para que continuemos tendo água em quantidade e de qualidade e isso só depende de nossa relação direta com o meio ambiente e com os recursos hídricos. Em quase todos os aspectos, nós já sabemos como devemos proceder, entretanto ainda não caímos na real e continuamos rezando para Deus mandar água, que “cai do céu”, para nós. Até quando, vamos continuar descumprindo a Lei e rezando para que Deus nos ajude a fazer o que precisa ser feito? Será que devemos mesmo comemorar o Dia Mundial da Água? Luiz Eduardo Corrêa Lima Rotary Club de Caçapava-Jequitibá






